Curiosidades do candomblé

Religião baseada em cultos africanos que foram trazidos pelos escravizados durante todo o período colonial, o candomblé é, hoje, uma das religiões brasileiras que mais vem crescendo em número de fiéis, tendo, ao todo, cerca de 3 milhões de adeptos ao redor do mundo. 

Nesse contexto, apesar de ter uma história centenária e de estar em constante expansão, muita gente ainda não conhece direito o que essa religião representa. 

Pensando em ajudar nessa parte, criamos o artigo abaixo com o intuito de trazer algumas das principais curiosidades que essa religião apresenta, confira!

História

No período de colonização brasileiro, a mão de obra escrava era trazida aos montes para trabalhar na colheita de cana de açúcar, algodão, drogas do sertão e, posteriormente, até mesmo na colheita do café e no ciclo do ouro. 

Nesse período, as práticas religiosas que diferiam do catolicismo eram expressamente proibidas e, portanto, os escravos precisavam transmitir os seus ensinamentos religiosos de forma sigilosa.

Depois de anos no Brasil, difundido de maneira ilegal e secreta apenas entre os seus participantes, no final dos anos XIX, período em que a escravidão foi abolida no país, os adeptos do candomblé passaram a organizar a religião. Por esse motivo, devido aos diversos anos em que passou na ilegalidade, o candomblé de hoje em dia tem forte influência tanto dos cultos africanos quanto até mesmo do catolicismo com o sincretismo religioso.

Os orixás

Para o candomblé, cada pessoa precisa ter o seu orixá de devoção, que nada mais são do que deuses que constituem a espiritualidade do mundo. Entre os orixás mais populares, podemos citar Oxumaré, Ossaim, Nanã, Omulu, Ogum, Oxóssi, Iansã e Iemanjá. 

Nesse contexto, diferentemente das religiões cristãs, cada orixá tem suas qualidades e suas características humanas, ou seja, a depender do contexto, um orixá pode ser bom ou pode ser mau.

É bastante comum o banho de limpeza, como o banho de boldo.

Como descobrir qual é o seu orixá

Provavelmente você já deve ter ouvido em algum lugar que “alguém é filho de tal orixá” (por exemplo, a cantora Maria Bethânia é filha de Iansã; a atriz Juliana Paes é filha de Iemanjá, entre outros exemplos). 

Mas você sabe como fazer para descobrir qual é o seu orixá? No candomblé, essa informação pode ser descoberta através do ifá, que nada mais é do que um jogo de búzios feito a partir de conchas e que pode ser usado como um oráculo.

O Candomblé possui níveis de hierarquia

Diferentemente de outras religiões, o candomblé cultua uma hierarquia rígida a qual é preciso seguir. Basicamente, os adeptos dessa religião são classificados da seguinte forma:

  • Abiã: é o nome dado para o iniciante;
  • Iaô: é o nome dado para o filho de santo que não é mais um abiã, mas ainda é um iniciante.
  • Ebômi: depois de 7 anos (no mínimo) como Iaô, é passado a se chamar de Ebômi. Nesse período, você pode ser designado a algum cargo dentro do terreiro, por exemplo:
    1. Ogã: ajudam, mas não recebem nem entidade nem santo;

2. Iamorô: são responsáveis por realizar as cerimônias para Exu;

3. Equedes: é um grupo de mulher que ajuda nos rituais e nas danças;

4. Babalorixá: é o pai ou a mãe de santo;

5. Baba-quererê: é o pai ou então a mãe pequena;

6. Ialaxê: é alguém que se responsabiliza pelas oferendas;

7. Agibonã: faz a iniciação dos iaôs;

8. Iabassê: faz comida (mãe);

Macumba é um instrumento musical

Apesar de muita gente associar o termo “macumba” como sendo algo negativo e dotado de magia negra, a macumba, na verdade, é um instrumento musical de percussão que é muito parecido com o famoso “reco-reco”. 

Esse instrumento foi criado na África e é usado nos terreiros ao redor do Brasil durante os cultos de candomblé.

O berço do Candomblé é Salvador

O candomblé tem adeptos em todo o mundo, sendo que mais de 3 milhões de pessoas seguem essa religião. No entanto, o terreiro mais antigo que se tem notícia surgiu no ano de 1830 na cidade de Salvador e é conhecido pelo nome de “Casa Branca”.

O candomblé foi uma religião perseguida pela polícia até 1930

Devido ao fato de que é uma religião predominantemente adotada pela população negra, muitos dos governantes do Brasil olhavam com desconfiança para ela durante o período colonial, considerando “magia negra”, bruxaria, coisa ruim. 

Já na república, quando os negros receberam a alforria, o caso de perseguição religiosa era instituicionalizado e a própria polícia era encarregada de exterminar os cultos religiosos.

Por esse motivo, no ano de 1930 a Mãe Aninha, uma importante mãe de santo da cidade de Salvador na Bahia, marcou uma reunião com o então presidente da república Getúlio Vargas com o objetivo de pedir para ele que a polícia parasse com essa perseguição. 

Depois dessa reunião, o preconceito ainda continuou, porém, a perseguição policial diminuiu bastante.

O candomblé é dotado de sincretismo religioso

Por ter sido uma religião considerada ilegal até 1930 e por sofrer tanto preconceito ao longo dos anos, para conseguirem fazer suas cerimônias sem que a população interferisse, os adeptos do candomblé passaram a adotar aspectos da religião católica para “enganar” quem visse os cultos de fora. 

Por exemplo, eles passaram a cultuar Xangô com o nome de São Jerônimo; Ogum como São Jorge; Iemanjá como Nossa Senhora (em alguns lugares, utilizavam Nossa Senhora da Conceição e em outros a Nossa Senhora do Rosário).

Sobre o local onde os cultos acontecem

Para o Candomblé, o local onde os cultos religiosos são realizados podem se chamar terreiros (também conhecido como casa ou roça, que é um local que é dirigido por uma mãe de santo), patriarcal (que é um local que é dirigido por um pai de santo) ou então mista (local onde tanto pode ter pai de santo quanto pode ter mãe de santo).

Candomblé e Umbanda são religiões bem diferentes

Apesar de muita gente confundir as duas religiões e enquadrá-las como sendo a mesma coisa, o candomblé é uma religião que tem incorporação de divindades da natureza. 

Já no que se refere ao ritual da Umbanda, além deles, também existem incorporação de outros espíritos, sejam eles desencarnados, encarnados ou de outros tipos.

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