Ser vítima de uma fraude bancária ou estelionato digital causa grande prejuízo financeiro e transtorno emocional. No ecossistema do Pix, onde as transferências ocorrem em segundos, a organização imediata de provas é a etapa mais crítica para viabilizar o bloqueio do valor e embasar futuras medidas administrativas e judiciais.
O êxito na recuperação do dinheiro depende da rapidez em acionar os mecanismos bancários — como o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central — e da consistência do conjunto probatório apresentado à Polícia Civil e ao Judiciário.
Contar com a orientação técnica de um especialista em litígios bancários e golpe do pix advogado garante que o protocolo de acionamento de fraudes seja rigorosamente cumprido. Paralelamente, em situações extremas envolvendo violência interpessoal ou abuso de vulnerabilidade no âmbito familiar e doméstico, a atuação preventiva voltada à proteção da vítima e o amparo oferecido por um advogado violência doméstica asseguram a preservação da integridade física e dos direitos patrimoniais afetados.
A seguir, apresentamos o check-list detalhado dos documentos e provas que você deve reunir imediatamente.
Comprovantes das Transações Financeiras

Os comprovantes bancários são a espinha dorsal de qualquer contestação de fraude, pois contêm o rastreamento técnico da operação.
O que extrair do aplicativo do banco:
- Comprovante de Transferência Pix Completo: Documento em PDF expedido pelo banco contendo data, horário exato com segundos, valor, ID da transação (código de autenticação bancária), chave Pix utilizada, nome completo, CPF/CNPJ e instituição financeira do favorecido (conta de destino).
- Extrato Bancário Detalhado: Extrato da conta exibindo o saldo imediatamente anterior e posterior ao envio do Pix, evidenciando a saída atípica de recursos.
- Protocolos de Atendimento e Chamados: Anote todos os números de protocolo de ligações para o SAC, Ouvidoria ou chats da sua instituição financeira no momento do relato da fraude e solicitação do MED.
Registro do Diálogo e Provas de Engenharia Social
Para demonstrar a ocorrência do crime de estelionato (Artigo 171 do Código Penal), é fundamental comprovar o induzimento ou a manutenção em erro por meio de fraude ou ardil.
Como registrar os contatos com os golpistas:
- Capturas de Tela (Printscreens) das Conversas: Registre todas as telas do aplicativo de mensagens (WhatsApp, Telegram, redes sociais ou e-mail). As capturas devem exibir o número de telefone completo do interlocutor (não apenas o nome de exibição no perfil), a foto do perfil utilizada e a sequência lógica dos fatos.
- Exportação do Histórico de Conversa: No WhatsApp, utilize a opção “Exportar conversa” (com mídias) para gerar um arquivo de texto completo contendo registros e horários de cada mensagem enviada e recebida.
- Áudios e Vídeos Enviados pelos Criminosos: Salve os arquivos originais de áudio ou vídeo encaminhados pelos golpistas, sem alterar o nome do arquivo, garantindo a integridade dos metadados.
- Registros de Ligações: Faça prints do histórico de chamadas do celular, destacando os números que entraram em contato para simular falsas centrais de atendimento ou realizar ameaças/cobranças indevidas.
Elementos do Anúncio, Site ou Oferta Falsa
Caso o golpe envolva compra de produtos inexistentes, falsos intermediários de vendas (como em plataformas de compra e venda de veículos) ou investimentos fraudulentos:
- URLs e Links de Acesso: Guarde os links (web addresses) exatos das páginas ou perfis falsos nas redes sociais utilizados para a abordagem.
- Anúncio Falso: Faça capturas de tela do anúncio original com o valor, descrição do produto/serviço e dados do vendedor.
- Contratos e Boletos Adulterados: Guarde eventuais minuta de contrato, propostas comerciais ou boletos falsos enviados antes do direcionamento para o Pix.
Boletim de Ocorrência (BO) e Notificação aos Bancos
A documentação formal perante as autoridades públicas e o sistema financeiro consolida a boa-fé e a tempestividade da reação da vítima.
Documentos formais essenciais:
- Boletim de Ocorrência Policial: Registre o BO na Polícia Civil (presencialmente ou via Delegacia Eletrônica) detalhando minuciosamente a dinâmica dos fatos, chaves Pix, bancos envolvidos e nomes dos titulares das contas recebedoras.
- Notificação Formal do MED: Requeira ao seu banco a cópia ou número do registro formal de solicitação do Mecanismo Especial de Devolução perante o Banco Central.
- Ata Notarial (Opcional, mas Recomendada): Para casos envolvendo valores elevados, a lavratura de uma Ata Notarial em Cartório de Notas confere fé pública ao conteúdo das conversas, links e telas, prevenindo questionamentos sobre a autenticidade das provas digitais.
Conclusão
A reunião organizada e tempestiva desse acervo probatório é o fator determinante para fundamentar o pedido de bloqueio cautelar das contas recebedoras e embasar eventuais ações judiciais de reparação contra as instituições financeiras envolvidas. Diante da consumação de um estelionato digital, agir com método e velocidade maximiza as chances de êxito na recuperação dos valores.