Denerval Ferraro Junior

é jornalista, editor de variedades de Época São Paulo, crítico de cinema e gastronomia. Este ano, lançou o livro "10+ do Cinema". Quando tira o boné de repórter, gosta de baladas (muitas), cosmopolitans (muitos) e filmes de Almodóvar (todos). O resto, ele não conta.





26 de Maio de 2008

Parada Gay? Zzzzzzz…

parada2008Acabei de ler o blog do meu amigo e colega de muitas labutas, baladas e paradas, André Fischer, e não posso deixar de dizer que concordo com ele: a Parada GLBT (XYJHSNVO… sei lá!) foi um porre federal. Primeiro: em nome da “diversidade”, deixou de ser uma manifestação de orgulho gay e lésbico para se tornar uma micareta estilo”pegá-muié”, com uma multidão de manos enchendo a cara de vinho barato e outro tanto de meninas com a pancinha de fora dando gritinhos histéricos, num arremedo “gay” de causar engulho. Segundo: a tal organização da Parada afastou os carros das boates para reforçar a “mensagem política”; ou seja, a festa perdeu o (bom) som, a (boa) iluminação, as fantasias, o brilho, as cores, os go-go boys…. Durou menos, foi mais chata e cafona. Na próxima, quem sabe, vire um churrascão. Terceiro: até agora, não encontrei, juro!, um único gay, amigo ou mero conhecido, de tribos e grupos diferentes, e de idades distintas, que tenha ido e realmente curtido a Parada. Nenhum! A maioria com quem falei disse que o evento perdeu a graça, que ir até a Paulista para ver um bando de gente se espremendo não é parada nem aqui nem na China, que em 2009 pretende viajar ou ir a uma festa privada e por aí vai.

Mais de 3 milhões de pessoas (eu, particularmente, não creio nesse número, que dira os 5 milhões que a Associação da Parada tentou nos empulhar) ao redor de um evento passam uma mensagem: gays e não-gays conseguem conviver na boa, mesmo espremidos uns contra os outros. Mas será que o preço disso - perder a alma gay, alegre, colorida e debochada - vale o esforço de quem, como eu, acreditava e participava dessa festa havia 12 anos?

No meu caso, não. Ano que vem, vamos a la playa!




24 de Abril de 2008

Jum Nakao faz palestra em SP

jum nakaoMaio, o tradicional mês das noivas e das mães, esse ano será também o mês gay em São Paulo, com a realização da Parada do Orgulho GLBT, dia 25, na av. Paulista - sem contar o grande número de eventos e festas que rolam na cidade nessa Semana do Orgulho. Mas como a vida não é só ferveção e balada, é bom ficar atento para a rodada de nove palestras que o fórum Universo do Conhecimento realizará entre 5 e 15 de maio, que discutirão sexualidade e grupos marginalizados pela sociedade. Entre os palestrantes, há desde a vereadora tetraplégica Mara Gabrilli, falando sobre exclusão, até o editor Pedro Paulo de Sena Madureira, com a palestra “Amores Impróprios na Literatura”. Chama atenção a presença do estilista Jum Nakao (lembra daquele famoso desfile na Fashion Week feito só com roupas de papel? Era dele!) falando da “Costura do Invisível”, no dia 6.  Jum é sempre no mínimo interessante. O fórum acontece no Instituto Cidadania Global, al. Ministro Rocha Azevedo, 419, Jardins, tel. (11) 3083-0996, das 20h às 22h. Cada palestra custa R$ 50 e o ciclo completo, R$ 400. Inscrições e informações no site do Universo do Conhecimento.