Denerval Ferraro Junior

é jornalista, editor de variedades de Época São Paulo, crítico de cinema e gastronomia. Este ano, lançou o livro "10+ do Cinema". Quando tira o boné de repórter, gosta de baladas (muitas), cosmopolitans (muitos) e filmes de Almodóvar (todos). O resto, ele não conta.





05 de Setembro de 2008

Brasil’s Next Top Mico

BNTM_concorrentes

 

Estreou ontem à noite, no canal pago Sony, a segunda temporada de Brasil’s Next Top Model. E devo dizer que foi uma decepção. Apesar do elenco de meninas disputando o prêmio de “próxima top brasileira” ter melhorado muito em relação ao ano passado, o programa de ontem beirou o tosco. As cenas internas foram gravadas em um casarão, com som direto. Ou seja: parecia um vídeo caseiro, cheio de eco, não se entendia direito o que diziam os jurados ou as modelos. Faltou grana para um estúdio ou essa meleca foi só no primeiro episódio? Tomara que seja a última alternativa.

 

A edição do reality show foi irritante. As sessões de fotos, as entrevistas com as modelos, a deliberação dos jurados, os desfiles, ou seja, TUDO que realmente interessa no programa era picotado com “depoimentos” das concorrentes. Eram opiniões inúteis e frases vazias como “foi uma emoção muito grande ver Fernanda Motta” ou “fiquei nervosa, pois nunca tinha feito isso”. Até um momento mais dramático, quando uma das concorrentes quis desistir antes do tempo, foi mal explorado, esvaziado. Sem contar a trilha sonora insuportável, tipo temas musicais recheados de guitarrinhas ”espertas”, algo tão last season… Hello, menos é mais, não?

 

motta_dudu

 

Os merchandisings foram vergonhosos, mais deslavados do que aqueles dos filmes da Xuxa na virada do século (Me vem à cabeça o horrendo Xuxa Requebra e seus merchans constrangedores). Xampus e cremes da marca A em primeiro plano, as meninas alisando carinhosamente seus secadores da marca B, e um longo take de uma mesa com toda a linha de hidratantes da marca C - tudo com a maldita musiquinha de propaganda de absorvente íntimo - são alguns exemplos do nível das cenas. Ok, a grana é necessária, mas precisa soar como um comercial medíocre de TV?

 

A apresentadora Fernanda Motta é simpática e linda, mas ainda falta muita cancha para chegar perto da original, Tyra Banks, criadora do delicioso America’s Next Top Model. E nem adianta falar que não dá para comparar porque dá, sim. O programa americano está na 11ª temporada de sucesso justamente pelo desempenho de Tyra e de seus jurados. No caso brasileiro, o júri melhorou sensivelmente: a jornalista Erika Palomino continua como a malvada de plantão, porém mais à vontade e, quem diria, simpática. O maquiador Duda Molinos parece levar a sério seu papel ali. E o melhor é o estilista Dudu Bertholini, que trouxe opiniões fortes e humor à competição. Seu antecessor, Alexandre Herchcovitch, padecia de constante mau humor e ar de tédio. Indigesto. Como jurado, continua sendo um excelente estilista.

 

duda_erika

 

Enfim, espero sinceramente que os problemas técnicos sejam resolvidos e o programa ache seu rumo. Acompanhei a primeira temporada com boa vontade e torço para que o Brasil’s Next Top Model seja vencedor, como seu par americano. Caso contrário, melhor mudar o nome para Brasil’s Next Top Mico e sair correndo da passarela, antes das vaias da platéia.

 

  •   









comentários dos leitores (0)

envie seu comentário



Nome:             

E-mail:            

Site:                

Comentário: