Congresso ignora gays e lésbicas
A Câmara dos Deputados mostrou mais uma vez seu grau de atraso ao aprovar, ontem, o projeto de lei que determina as novas regras para a adoção. Enquanto a nova lei mostra avanços, como maior agilidade nos processos de adoção (que deve passar de quase quatro anos para apenas um) ou o direito do adotado saber quem são seus pais biológicos, os deputados deram uma aula de discriminação ao retirar do projeto o artigo que regulamentava a adoção de crianças por casais do mesmo sexo.
Segundo o portal G1, a possibilidade de adoção por casais homossexuais foi retirada do texto para facilitar a aprovação. Antes, teria de ser regulamentada a união civil entre homens ou mulheres. Proposta, aliás, que está parada doze anos na Câmara, como tudo que diz respeito a gays e lésbicas cai no limbo do Congresso e fica pro dia de São Nunca. Para os deputados, melhor ignorar o problema do que discuti-lo seriamente. Afinal, voto gay não vale nada, não é?
Na Folha on line, o deputado mineiro Miguel Martini (PHS) ilustrou bem os ânimos do Congresso em relação a isso tudo: ”A Casa nunca deliberou e espero que nunca venha a deliberar sobre o casamento homossexual.” O deputado, claro, é católico fervoroso, daqueles que pautam sua ação polÃtica baseados na religião pessoal. Boa parte dos projetos e emendas apresentados por Martini, por exemplo, são medidas para condenar o aborto e transformá-lo em crime hediondo - a mesma classificação de seqüestro e dos piores tipos de homicÃdio.
O bacana é a postura “cristã” de Miguel Martini. Achei uma entrevista antiga do deputado ao site católico Canção Nova. Saca a hipocrisia: “Justiça é dar ao outro o que ele tem por direito. Todos nós somos imagem e semelhança de Deus.” E os gays não, deputado? E as lésbicas? Continuam como cidadãos de segunda (ou terceira) categoria?
Alô, presidente Lula! Cadê o senhor agora segurando a bandeira do arco-Ãris?


22 de Agosto de 2008
¬¬’ merecemos, e olha que ele fala isso em ano eleitoral! será que ele esqueceu que somos em teoria um estado laico?
faz tempo a idade média, ou não?